nem nim nem são, à deriva


migrei:

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 Escrito por Mayra às 15h52
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átomos

o que dizer do óbvio? é sempre ele, sem dúvidas. mas como achar dentro de cada ser-cebola o noyau óbvio? meus dias de gente eram tantos que eu me esquecia dessa busca. dessa busca do sonho, desse carnaval de tiração de máscaras, dessas descobertas. de olhar pela janela. esqueci. agora me lembro. me lembro que via um trem que saía de uma floresta colorida de outono, lilases, verdes, laranjas, tranquilos, no quadro da janela. janela que dava para o pomar. era the third rock from the sun, are you experienced? assez 70's, mais toujours d'actualité. c'est evident. sempre o óbvio. détendu. sim, ombros bem pousados ao redor da coluna. posso pousar aqui esta noite? era o que eu perguntava quando era um beija nômade perdido na paulicéia. ou achado nas ondas do mar da lua branca. por mais que o tempo venha, sinto que as camadas velhas se renovam. como um peeling psíquico. e essas rosas, que maravilha. que presente mais fofo. sim, tenho que admitir uma sensibilidade aflorada nessas pessoas. sem os "podruto". mas uma resistência, compreensível, mas uma resistência. pois é. o óbvio é ter a mesma reação para o sucesso e para o fracasso. o óbvio é descascar aos pouquinhos essa cebola fedida e descobrir o sabor insubstituível. é ser o que é. oras bolas.

 Escrito por Mayra às 18h34
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wenn das kind kind war

com o tempo, aprendo a não me importar se ele se estende quando uso o pó de pirlimpimpim. é um recurso, uma ferramenta pra deixar a vida mais leve do peso desnecessário. aprendo a não me importar se estou passando de um quarto de século, se tenho um(uns) fio(s) de cabelo branco, se minhas metas subjetivas não estão dentro da máquina espremedora de "célebros". ele é um professor, é um pai e um amigo. cabe à mim aceitar seus ensinos e seus defeitos. uma ilusão não vale mais que a espinha ereta e a mente tranquila. e das ilusões desse mundo a gente pode ser escravo, no mínimo vacilo. é tarde, é tarde, é tarde. feliz desaniversário. e a cada dia uma camada nova (velha) tenta se sobrepor ao corpo sutil. a profissão de se livrar de carapaças é das mais sublimes, mas tem que ter uma aposentadoria coerente. por isso o tempo é meu amigo. o espaço é uma consequência. saravá.

 Escrito por Mayra às 05h58
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anjo caído

qual oráculo seria o mestre de mim mesma? pergunto pra saber qual muro eu prefiro pra bater a cara, pra depois saber que quem não tem colírio usa óculos escuro. o medo e as heranças cósmicas sempre foram um nó. sei que às vezes são grandes demais os blocos de terra crua que carrego nas costas pra fazer essa pirâmide, esse mausoléu do devir. por que esse mundo é assim, meu deus? que graça tem viver de pensar no futuro? que vantagem há em ser especialista em autocad? será que meus anos de cárcere nesse bolo fecal, no intestino gordo desse rei nojento servem pra ajudar a queimar as mazelas do mundo? quando eu serei finalmente expelida dessa digestão interminável? me sinto literalmente esmagada e corroída pelas enzimas desse processo. não é muito a minha praia ser massa cinzenta de manobra pro estabelecimento dessa coisa desforme e de qualquer jeito. namportequá. de verdade, não quero viver um namportequá. peço clareza pra compreender e pra escolher o melhor caminho. sinto muito não ser um anjo como tem que ser. sinto muito não saber mais flutuar pelos caminhos. sinto muito, mas eu escolhi. e quero reaprender a leveza de voar nos sonhos. quero reaprender a liberdade, o ato com tato natural, não viver só de lembranças. quero me divertir com uma profusão de cores. e cada vez mais a busca é dentro, não fora. sem muleta, sem apoio, sem colo e sem imagem. com amor, com muito amor.

 Escrito por Mayra às 16h30
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alfa zema

por momento é que eu entendo esse beco em que eu agradecidamente fui me meter. gracias. gracias pelo acaso, no local histórico das manifestações da esquerda, centro de irradiações, perdida entre todas as ruas-possibilidades, primeiro momento mágico. o segundo momento é/está. o escolher a semente, plantar, cultivar. desde o habitante da fonte mais profunda, a deliciosa luta-dança-capoeira-trapézio, a viagem com maçãs e os caminhos secretos, tudo é desenhado sob segmento áureo e marcado com pinceladas impressionistas, dentro e fora das muralhas da cidade velha. se o futuro é a morte, vive agora. se temos toda vida pela frente, vive agora. porque os castelos e os becos e as casas de pedra sob a pedra, vivem. e me atravessam com sua contemporaneidade medieval. que todos os relógios pirem, que seja o dia em que a terra parou. pois nós vemos o corpo da mandrágora na raiz retorcida, o retrato do corpo fálico na terra esculpida. e isso é bastante. saravá.

 Escrito por Mayra às 18h36
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 Escrito por Mayra às 18h43
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one size fits all

descobri que eu estava com saudades quando o céu não tinha as mesmas estrelas, as mesmas constelações com as quais eu estava acostumada a conversar. cadê meu escorpião? cadê meu cinturão de órion, cadê a cabeça e a espada de São Jorge? cadê a panelinha?... cadê Vênus, estrela Dalva... quais serão as contelações daqui? xô, po-jama people. je veux une vélo.

 Escrito por Mayra às 18h22
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lugar

se todos sabem, eu não sei. sinto até que sou cada dia. nuvem cinza quer ir embora, o sol quer sair do útero. a lua, as marés, tudo isso em meu espelho, me faz imaginar mundos que eu não sei. se fui, se sou, eu não sei. se serei, menos ainda. quem me dera aprender a não querer saber o que não serei. um dia ainda aprendo. vamos, tchau. chega desse ciclo. pra mim já deu. tridimensionalmente, ou até mais, o que eu quero já faz tempo. aproveito, se deus quiser, as conjunturas planetárias. a coisa é no coração. eixo vertebral, vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. e o coração é quem manda. verde, rosa, o que for. em flor. em flor. entrega. se desfaz. sublima no éter. derrete no mar. laisses faire. let it linger. deixa ser. só ser. e só. puro e simples. afe! são claros sinais, mas será? que busca é essa, meu, quanto tempo? o recado é o mesmo. a ansiedade é a mesma. talvez sendo curada em doses mega homeopáticas. posso ser norrrrrrmal. quero ser norrrrrrmal. pelo menos tridimensionalmente norrrrrrmal. ou não. não, vai. tá bom. nem queria mesmo. awake the snake. awake and let be awaken. como se diz, mesmo? jogo no meu time. no meu timing. se deus quiser.

 Escrito por Mayra às 07h52
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it's not up to you [björk guðmundóttir]

i wake up
and the day feels broken
i tilt my head
i'm trying to get an angle

'cause the evening
i've always longed for
it could still happen

how do i master
the perfect day
six glasses of water
seven phonecalls

if you leave it alone
it might just happen
anyway

it's not up to you
well, it never really was...

if you wake up
and the day feels a-broken
just lean into the crack
just lean into the crack
and it will t r e m b l e
ever so nicely
notice
how it sparkles
down there

i can decide what i give
but it's not up to me
what i get given

unthinkable surprises
about to happen
but what they are

it's not up to you
well, it never really was...

there is too much
clinging
to peak
there is too much
p r e s s u r e

 Escrito por Mayra às 00h17
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lugar

agora é um tempo bão, porque bate solzinho de tarde e eu posso ficar aqui mesmo. se não fosse tão cedo eu mandava sua arrogância tomar no olho do cu. mas eu como pessoa humana, tenho que dar o braço a torcer para o acaso. nem precisei me mover, fui simplesmente para o caminho mais agradável, e tudo aconteceu por si mesmo. que coisa, acho que gosto mesmo de tempestades alheias. cansei de chover sozinha. como é bom encontrar seres isofrequencialmente atormentados, pulsando no mesmo ritmo. como é bom. simplesmente saber que eles existem e estão trabalhando nesse mundo também. sim, hoje acordei com água na boca, com vontade de viver sem sutiã. mas olhando no dicionário percebi que a insurreição é um tombo, meu cotovelo direito está atraindo demais o chão. quando é assim, a gente sabe que as coisas boas são naturais, e as coisas ruins estão ruins porque não são naturais. só isso. não existe coisa boa que sirva pra muleta de coisa ruim. coisa boa é coisa boa, plantamos e colhemos. e tem que esperar mesmo o tempo delas nascerem. e esperar o tempo certo de colher, pra não amarrar a boca ao invés de se alimentar. muito, muito simples. só que tenho que me lembrar disso todos os dias, até ser incorporado de verdade. a gente cresce e esquece dessas coisas, vira tatu-bola. o fogo que transforma e aquece é o mesmo que queima. a água que purifica é a mesma que leva embora, que afoga. e daí cresce uma crosta dura que custa a amolecer. sabendo disso, sem querer, acabei desenvolvendo uma crosta frágil, que pega fogo e tem algumas infiltrações. mais do que minha casinha suporta. quem sabe um dia consigo viver de construções espontâneas e duradouras, em todos os sentidos.

 Escrito por Mayra às 15h05
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réssaca

é denoite, já. catota no café da manhã que já era um belo peixe com batatas. salve mamãe. catota endureceu, foi mais fácil pra tirar. catota que faz a gente respirar pela boca, uma craca de fora, bem na frente do famílio. que era mesmo aquele tombo? como é que eu deixei passar o xuxu que foi embora sozinho? se bem que não era pura vontade não. era pura maleita. só pra constar no arquivo. só pra dormir menos, só pra acordar um pouco menos catota. daquelas que faz uma bolinha e joga fora, ou gruda em baixo da mesa. sblósh. com os olhos vermelhos de insônia induzida, do mais improdutivo choro bebum. malditas lentes de contato. maldita matéria. que foi, nunca viu? o espelho só aumenta a procrastinação. que se explodam todas as torres de marfim. tem horas que os olhos enxergam demais, chega. quero mergulhar de cabeça numa água gostosa. e só.

 Escrito por Mayra às 23h30
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isobel [björk guðmundóttir]

in a forest pitch-dark
glowed the tiniest spark
it burst into flame
like me : like me

my name isobel : married to myself
my love isobel : living by herself

in a heart full of dust
lives a creature called lust
it surprises and scares
like me : like me

my name isobel : married to myself
my love isobel : living by herself

when she does it she means to
moth delivers her message
unexplained on your collar
crawling in silence
a simple excuse

in a tower of steel
nature forges a deal
to raise wonderful hell
like me : like me

my name isobel : married to myself
my love isobel : living by herself

when she does it she means to
moth delivers her message
unexplained on your collar
crawling in silence
a simple excuse

 Escrito por Mayra às 22h23
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desejo

...serenidade...

 Escrito por Mayra às 00h20
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solzim

tudo bem, eu sei que o tempo não é nêgo de se comprometer comigo. sei que sou meretriz das horas fáceis. mas que merda de galo é esse que canta errado, em terreiro alheio? quem dera aprender coisas da vida com um verdadeiro dragão. aprender muito e gozar, que eu sou pessoa humana. mas se é só no trovão que as coisas se resolvem, eu não sei. acho melhor esperar. o jardineiro me disse, eu acreditei. é devagar que irrompe a luz, conserva essa energia em bolhas de sabão. até elas tocarem uma superfície de veludo [azul] e fazerem plim! ahh que delícia...

 Escrito por Mayra às 22h40
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pêlo sim, pêlo não

molha então essa terra, meu bem. molha que é bom. ligue os pontos e terá uma nova figura. cada um liga da forma que bem entender, aí está toda a graça. e toda a desgraça.
um beijo

 Escrito por Mayra às 22h27
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nostalgia
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